A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos de materiais escolares em cidades do interior de São Paulo. A Operação Coffee Break, como foi denominada, mira irregularidades em licitações, superfaturamento e desvio de recursos públicos da educação em prefeituras como Morungaba, Sumaré, Hortolândia e Limeira.
Segundo a denúncia apresentada pelo MPF em 5 de dezembro de 2025, o grupo investigado planejava ampliar seus negócios para a comercialização de materiais destinados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O objetivo seria oferecer “salas especiais” equipadas com materiais “neuro‑especiais”, como fones de ouvido e mordedores, às redes municipais de ensino. De acordo com a denúncia, a proposta foi apresentada em fevereiro deste ano pelo doleiro Eduardo Maculan como uma “oportunidade de negócio”.

Entre os nomes citados nas investigações estão Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula, e Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A denúncia aponta que os investigados atuavam no direcionamento de contratos e na venda superfaturada de kits escolares e materiais didáticos. Alguns contratos da empresa investigada, a Life Tecnologia Educacional, chegaram a ter preços até 35 vezes maiores que os valores de aquisição.
A defesa de Kalil Bittar afirma que ele não recebeu qualquer recurso como “mesada” e que prestou serviços de forma regular. Já os advogados de André Mariano, outro investigado, negam que ele tenha cometido crimes ou liderado uma organização criminosa.
Até o momento, não há confirmação pública de que as prefeituras tenham adquirido os materiais para crianças com TEA ou que “salas especiais” tenham sido implementadas. O caso segue em investigação e ainda não há condenações definitivas.
A Operação Coffee Break revela a gravidade das suspeitas e a complexidade das investigações sobre o uso de recursos públicos na educação, levantando questões sobre fiscalização, ética e inclusão social. A Dreams FM seguirá acompanhando o desenrolar do caso, trazendo atualizações sobre prisões, bloqueios de bens e andamento judicial.

